UMA PAUSA PARA ALGUNS PENSAMENTOS
Há coisas que não fazemos e nos apercebemos. Há quanto tempo você não olha para os céus, principalmente à noite? Ficamos enclausurados em cômodos nas nossas confortáveis casas, praticamente em caixotes que nos protegem dos ventos, das simples brisas, do sol flamejante ao dia, de insetos e muitas vezes, para quem se atreve gastando algum dinheiro a mais, dos sons externos, por meio de janelas e vidraças antirruído. Imagino que todos saibam do que estou falando.
Cães raramente olham para cima. Claro há situações que certos cães olham Lembro-me de um cachorro, nosso vizinho. Sim desde que mudamos para o condomínio onde moramos, pessoas e pets são igualmente gente para nós. Já fazem dezesseis ou dezessete anos. Ao Vê-lo do nosso sexto andar, dado ao carinho que tínhamos por ele, o chamei e ele ergueu imediatamente o focinho e olhou par mim na janela da sacada. A nossa atual, as Kiara, ao falarmos “potocóptero” ela corre até a janela esperando ver um helicóptero, geralmente da polícia indo em direção à favela próxima, ops! “comunidade”...
Be como eu dizia, passamos meses, e às vezes anos sem olharmos para os céus. Olhamos eventualmente durante o dia, para vermos uma ou duas vezes de já está chovendo ou não. Sim, porque desafortunadamente, confiamos mais no serviço de meteorologia da Tevê do que olhamos para o céu real com nuvens, pássaros e estrelas.
Aliás, falando em estrelas, à noite é que se contempla a beleza misteriosa dos céus, mesmo porque durante o dia em condições que não sejam especiais, não é saudável olhar para o céu claro, explodido em luz pelo nosso sol. É à noite também que percebemos o quão correta é a descrição da infinitude aparente do universo, quando certas escrituras dizem dele, como um “abismo”.
Quando eu era bem pequeno, antes de quatro anos, morávamos em uma casa de dois andares ao fundo, com pátio cimentado. Eu gostava de, à noite, deitar-me no chão, e olhando o beiral do telhado com as estrelas da noite brilhando no céu, por instantes tinha a incrível sensação de estar sobre um abismo, vendo-o de cima. Engraçado que após adulto, ou mesmo antes adolescente, nunca ter feito isso novamente. E olhe que de lá para cá já vão quase sessenta e cinco anos. Ou seja: há sessenta e cinco anos que não acho tempo para contemplar esses mesmos céus que estavam lá, continuam e estarão lá ainda por um bom tempo.
As mesmas escrituras antigas rezam que os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento as obras de suas mãos. Curioso que os antigos eram míopes ou quase cegos, praticamente cegos com relação à aparência do universo e seus majestosos elementos. Hoje com as fotografias disponibilizadas e públicas, das imagens captadas pelos telescópios mais potentes, traduzidas em cores visíveis, as ondas eletromagnéticas e radioativas invisíveis antes aos nossos olhos de sábia limitação, podemos muito mais do que os antigos, confessar que as obras de Deus são realmente maravilhosas.
Há duas coisas que aparentemente o “homem moderno” presunçosamente não faz: olhar para dentro de si e para os céus. Vivemos arrastando os nossos narizes no chão, fuçando coisas inúteis e absolutamente virtuais, irreais, perdendo a complexidade fora de nós e sutileza de nosso interior individual. O universo é um vislumbre do tamanho de Deus, o nosso interior, a quem possa chamar de alma, o que nos transformamos e nos constituímos a cada dia, é que realmente somos, seremos vistos, identificados, preservados e em tese julgados. Há os que neguem ambas as coisas: Deus e si mesmos e o que lhes sobraria? Tudo que é passageiro, que não será preservado, o que não tem de fato valor.
Enfim, cada um, escolha o que aspire ver.
Belo Horizonte, 16 de dezembro de 2024

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