009 PIADA, ANEDOTA, É LITERATURA?
Quando se fala em autores, em escritores, logo se lembra de poemas, de crônicas, de contos e os mais celebrados são, no inconsciente coletivo, os romancistas. Isto porque os romances são extensos, volumosos, dividem-se em capítulos e constam de mais de duas centenas de páginas.
Aparentemente por isto, atribui-se ao escritor que escreve romances uma maior capacidade criativa, inteligência, conhecimento, etc. Afinal e também, um romance ou novela, para os falantes de língua inglesa, quase sempre se tornam filmes, o que não acontece com a letra de uma canção, raramente um conto, etc.
Mas voltando ao título desta postagem, quem de nós nunca ouviu, nunca repetiu contando alguma tida como boa piada, anedota? acredito que todos nós, em menor ou maior ocorrência, quase sempre para tirar a seriedade de algum evento, destacar a maldade e o mau caráter nato de nós seres humanos e dar muitas risadas.
A definição de anedota, a definição de dicionário reza o seguinte: "A Anedota ou Piada é um gênero textual humorístico que tem o intuito de levar ao riso. São textos populares que vão sendo contados em ambientes informais, e que normalmente não possuem um autor. Trata-se de um texto narrativo simples em que geralmente há presença de enredo, personagens, tempo, espaço."
Corrija-se "que normalmente não possuem autor" o que é em si é sim uma piada, é como se existisse alguém sem mãe ou sem pai. A verdade é que estes autores são anônimos, existiram mas não se preocuparam em "assinar" os seus bons ( ou ruins ) textos e foram repassados naturalmente, as vezes até traduzidos, o fato mais raro, dada a característica de gueto, contexto linguístico e conhecimento prévio de quem as ouve, já que o texto anedótico, cômico, humorístico, omite detalhes que são conhecidos e já familiares tanto ao que conta a anedota quanto aos que a ouvem.
Uma anedota perde a sua capacidade natural de fazer rir se o que a conta, que a diz, tenha que explicar algum detalhe. O grande salto ou segredo da boa anedota é que desperta, acende na mente dos que a ouvem algo que está oculto mas que de compreensão ou descobrimento de todos naquele contexto pelo menos.
Boa parte ou até a maioria das anedotas tem um caráter proibitivo, adulto, chulo. São comuns as referências a sexo, mentira, traição, burrice, crítica étnica ou racial, a estrangeiros, à nacionalidades, a naturais de países ex-colonias e ex-colônias, de gênero, etc.
Boa parte das piadas que jamais mataram ninguém e sempre fizeram pessoas de todos os tipos rirem umas das outras e de si mesmas hoje são artificialmente colocadas no limbo das proibidas. Justamente por uma mentalidade burra dominante que tudo é humilhação a alguém. Como se to texto literário assim com a maioria das literaturas de todos os gêneros não tem nenhuma obrigação com algum tipo de verdade ou realidade. De fato a literatura é um mundo paralelo, inexistente ou só existente na mente humana, que nos diverte, amplia a nossa imaginação mas nunca é real. Isto não exclui que muitas literaturas foram intencionalmente criadas autoralmente para produzir discriminação e ódio de forma muito eficiente, mas não é factualmente a maioria.
Se a literatura tivesse compromisso com a verdade ou ela, a verdade, fosse compulsória, teríamos que erradicar, jogar no lixo, todas as letras das canções, os hinos nacionais, as literaturas religiosas, as ideologias e ficaríamos com nada, apenas comendo, bebendo, e vivendo o mundo estritamente real. Nenhuma literatura tem compromisso com a verdade embora se refira sempre a certo aspecto da realidade.
Há alguns anos eu contei a uma colega professora, de mais idade, uma anedota de texto mais ou menos longo que criticava a sapiência e o conhecimento de certa classe de pessoas muito viajadas, de ampla cultura e terminava com uma reviravolta dada por uma pergunta de uma personagem simplória. O bordão, e não a conclusão da anedota era "tem coisa melhor do que isto"?
Passou -se o tempo e a cada reunião de trabalho na escola, com um assunto terrivelmente chato, eu olhava para esta colega e dizia "tem coisa melhor do que isto?" ao que ela gargalhava como se eu tivesse contando a piada pela primeira vez. Ela se contorcia de rir. Talvez ao final desta postagem eu reproduza esta anedota... kkkkkk!! ou não!
O melhor das anedotas, se levadas a sério, o seu lado sério e humano, é exatamente tirar lições importantes ou refletir sobre como agimos ridiculamente em nossas próprias vidas e em situações reais das nossas relações sociais.
Anedotas falam sobre nós mesmos, desnuda-se as nossas falhas sejam de caráter, nosso pedantismo, autossufiências, etc. Diferentemente de outras histórias ( melhor: "estórias" com "e" como "story" em inglês ) quer ao final, pelo menos antigamente, vinham com "moral da história..." numa anedota cabe a quem conta ou quem ouve fazer esta necessária e útil reflexão.
Interessante que o caráter pedagógico, crítico e moral das anedotas, é mais aparente ou perceptível ao serem transpantadas para as charges ou através das falas de personagens criativos como Mafalda, Snoopy e outros. Cujos quadrinhos tornam mais visíveis uma certa moral ou objetivo crítico na cena desenhada e articulada pelos diálogos nos balões, mas este é um outro assunto.
Uma anedota possui:
Um enredo!
Uma história com início, meio e fim é construída de antemão e neste enredo consiste o grande segredo para a eficácia e o riso que despertará nas pessoas. Exatamente pela sua ligação tênue ou mais forte e clara com a realidade.
Este enredo é muito bem pensado pois não é e não pode ser recheado de informações e detalhes que dificultem a concentração no que é estritamente essencial.
Personagens!
As personagens ( em bom português é sempre uma palavra feminina independente de gênero de cada uma delas, em espanhol ao contrário é sempre masculina, também independentemente do gênero de cada uma delas ) são somente as que são essenciais para o enredo e não mais. Há a personagem principal e a chamada em jargão de teatro, "escada", aquela que respondendo à primeira, possibilita o fecho, a conclusão, o final da anedota. Lembrando que a personagem principal não é sempre a que aparece mais, fala mais, tem maior texto de fala, etc. Pode ser a que fala e aparece menos e a "escada" ( o que dá oportunidade ) , a que dá a "deixa", chama à uma resposta, seja justamente a outra.
Tempo!
Uma piada só pode provocar risos em ouvintes se seu tempo ou época. Uma anedota da idade média pode ser compreendida se dela tomamos conhecimento hoje, com o seu texto e narração exatamente como era em sua época de criação e autoria mas dificilmente nos provocará risos. Podemos tirar até as mesmas lições morais, mas não riremos dela como as pessoas contemporâneas dela riram um dia.
Rimos de anedotas contextualizadas em nosso tempo e não aparte dele.
Espaço!
Espaço em literatura é o mundo onde tudo acontece. Não é real nem mesmo quando se refere a fatos reais, históricos, como o descobrimento do Novo Mundo, por exemplo. Harry Potter tem seu próprio mundo e assim todas as demais literaturas. Este espaço, este mundo pode ser real ou imaginário como em "Guerra nas estrelas", mas ele tem que ser familiar ou tornado familiar a nós.
A anedota, entre tantas, que duas loiras conversam agachadas observando um pneu murcho do automóvel em que estavam trafegando é um exemplo. Uma diz a outra: "- está vazio!" ao que a outra retruca "-mas é só a parte de baixo"! só faz sentido para quem na sua sociedade há aparentemente, seja na mídia ou entre as pessoas, loiras exuberantes, femininas e tão ocupadas com a manutenção e visibilidade da sua beleza e por imposição não conseguem desenvolver uma compreensão mais ampla e real das coisas do cotidiano. Mas a crítica real está longe e apartada de serem loiras ou negras. Podem ser aplicadas a mulheres exuberantemente aceitas como belas em qualquer etnia!
O melhor das anedotas, se levadas a sério, o seu lado sério e humano, é exatamente tirar lições importantes ou refletir sobre como agimos ridiculamente em nossas próprias vidas e em situações reais das nossas relações sociais.
Anedotas falam sobre nós mesmos, desnuda-se as nossas falhas sejam de caráter, nosso pedantismo, autossufiências, etc. Diferentemente de outras histórias ( melhor: "estórias" com "e" como "story" em inglês ) quer ao final, pelo menos antigamente, vinham com "moral da história..." numa anedota cabe a quem conta ou quem ouve fazer esta necessária e útil reflexão.
Interessante que o caráter pedagógico, crítico e moral das anedotas, é mais aparente ou perceptível ao serem transpantadas para as charges ou através das falas de personagens criativos como Mafalda, Snoopy e outros. Cujos quadrinhos tornam mais visíveis uma certa moral ou objetivo crítico na cena desenhada e articulada pelos diálogos nos balões, mas este é um outro assunto.
Uma anedota possui:
Um enredo!
Uma história com início, meio e fim é construída de antemão e neste enredo consiste o grande segredo para a eficácia e o riso que despertará nas pessoas. Exatamente pela sua ligação tênue ou mais forte e clara com a realidade.
Este enredo é muito bem pensado pois não é e não pode ser recheado de informações e detalhes que dificultem a concentração no que é estritamente essencial.
Personagens!
As personagens ( em bom português é sempre uma palavra feminina independente de gênero de cada uma delas, em espanhol ao contrário é sempre masculina, também independentemente do gênero de cada uma delas ) são somente as que são essenciais para o enredo e não mais. Há a personagem principal e a chamada em jargão de teatro, "escada", aquela que respondendo à primeira, possibilita o fecho, a conclusão, o final da anedota. Lembrando que a personagem principal não é sempre a que aparece mais, fala mais, tem maior texto de fala, etc. Pode ser a que fala e aparece menos e a "escada" ( o que dá oportunidade ) , a que dá a "deixa", chama à uma resposta, seja justamente a outra.
Tempo!
Uma piada só pode provocar risos em ouvintes se seu tempo ou época. Uma anedota da idade média pode ser compreendida se dela tomamos conhecimento hoje, com o seu texto e narração exatamente como era em sua época de criação e autoria mas dificilmente nos provocará risos. Podemos tirar até as mesmas lições morais, mas não riremos dela como as pessoas contemporâneas dela riram um dia.
Rimos de anedotas contextualizadas em nosso tempo e não aparte dele.
Espaço!
Espaço em literatura é o mundo onde tudo acontece. Não é real nem mesmo quando se refere a fatos reais, históricos, como o descobrimento do Novo Mundo, por exemplo. Harry Potter tem seu próprio mundo e assim todas as demais literaturas. Este espaço, este mundo pode ser real ou imaginário como em "Guerra nas estrelas", mas ele tem que ser familiar ou tornado familiar a nós.
A anedota, entre tantas, que duas loiras conversam agachadas observando um pneu murcho do automóvel em que estavam trafegando é um exemplo. Uma diz a outra: "- está vazio!" ao que a outra retruca "-mas é só a parte de baixo"! só faz sentido para quem na sua sociedade há aparentemente, seja na mídia ou entre as pessoas, loiras exuberantes, femininas e tão ocupadas com a manutenção e visibilidade da sua beleza e por imposição não conseguem desenvolver uma compreensão mais ampla e real das coisas do cotidiano. Mas a crítica real está longe e apartada de serem loiras ou negras. Podem ser aplicadas a mulheres exuberantemente aceitas como belas em qualquer etnia!
Trata-se de uma crítica de comportamento real. Eu acho a ex-modelo Xuxa Meneguel uma pessoa interessante mas a vida e o sucesso não lhe possibilitou ter uma compreensão mais aprofundada da vida e com o passar dos anos mais se mete em situações desconfortáveis a partir de declarações políticas ou outras, o que é natural compreensível e alvo de justas críticas.
Não se trata de uma afirmação dogmática de que "loiras são burras" mas de uma constatação genérica de que pessoas bonitas, não só loiras, nem só mulheres, cuja aparência seja algo preponderante em suas vidas e carreiras, resultem em alguma defasagem natural em outras áreas. É apenas um aviso!
Hoje se atribui apressadamente o caráter racista de certas anedotas dirigidas a negros mas que cuja lição ou reflexão vale para qualquer pessoa de qualquer etnia, cuja carreira não é amadurecida: toda pessoa que sobe socialmente muito rapidamente tem uma forte tendência natural de fazer algo desastroso ao final ou mesmo no início. Basta mudar a etnia da personagem!
Claro que personagens ganham , têm identidade: gênero, faixa etária, etnia e até nomes! recordem-se das piadas cujo personagem é sempre o "joãozinho"? o tal do "joãozinho" não é inteligente, não é bom, não é justo, mas sempre ao final dá uma reviravolta em quem em tese seria mais esperto que ele. Denunciando justamente a falha de raciocínio de quem está acostumado, ou muito acostumado em deter a verdade final sobre qualquer assunto. Professoras aparentemente são o alvo deste tipo de anedotas! e nelas são denunciadas o desconhecimento este das "professoras" do mundo além de suas próprias vidas e experiências de vida.
Voltando às anedotas de aparente conotação racista e fonte de reforço discriminatório: a lição é que a "imaturidade, independentemente de etnia ou gênero, sempre produzirá desastres", seja no início ou em outra ocasião da vida. Conheci um amigo no facebook que aos dezesseis anos , destruiu dois carros da família: uma Veraneio e uma Chevrolet Caravan, capotando os dois e dando perda total. Hoje um homem com filhos e netos não faria o que fez na adolescência.
Não se trata de uma afirmação dogmática de que "loiras são burras" mas de uma constatação genérica de que pessoas bonitas, não só loiras, nem só mulheres, cuja aparência seja algo preponderante em suas vidas e carreiras, resultem em alguma defasagem natural em outras áreas. É apenas um aviso!
Hoje se atribui apressadamente o caráter racista de certas anedotas dirigidas a negros mas que cuja lição ou reflexão vale para qualquer pessoa de qualquer etnia, cuja carreira não é amadurecida: toda pessoa que sobe socialmente muito rapidamente tem uma forte tendência natural de fazer algo desastroso ao final ou mesmo no início. Basta mudar a etnia da personagem!
Claro que personagens ganham , têm identidade: gênero, faixa etária, etnia e até nomes! recordem-se das piadas cujo personagem é sempre o "joãozinho"? o tal do "joãozinho" não é inteligente, não é bom, não é justo, mas sempre ao final dá uma reviravolta em quem em tese seria mais esperto que ele. Denunciando justamente a falha de raciocínio de quem está acostumado, ou muito acostumado em deter a verdade final sobre qualquer assunto. Professoras aparentemente são o alvo deste tipo de anedotas! e nelas são denunciadas o desconhecimento este das "professoras" do mundo além de suas próprias vidas e experiências de vida.
Voltando às anedotas de aparente conotação racista e fonte de reforço discriminatório: a lição é que a "imaturidade, independentemente de etnia ou gênero, sempre produzirá desastres", seja no início ou em outra ocasião da vida. Conheci um amigo no facebook que aos dezesseis anos , destruiu dois carros da família: uma Veraneio e uma Chevrolet Caravan, capotando os dois e dando perda total. Hoje um homem com filhos e netos não faria o que fez na adolescência.
Há outros casos que também sei de ótimos filhos e filhas que jamais deram anteriormente aborrecimentos ou preocupações aos seus pais. Mas que anos depois fizeram coisas terríveis em situações que não eram as mesmas conhecidas e familiares quando próximos a seus pais. Em ambos os casos confirmam as anedotas: a inexperiência gera desastres! não se trata de um contexto étnico racial, é uma lição ampliada para todos, independentes se negros, brancos, orientais, enfim a todos nós.
Anedotas são e constituem literaturas importantes de forte fundo moral, se não todas, na maioria das vezes, funcionando como um espelho para as diversas facetas do comportamento humano e que não constituem uma "verdade dogmática" e nem sempre uma ofensa objetiva. Simplórios podem a priori achar assim sem que seja em cem por cento dos casos. Hoje a censura imposta é de longe maior do que a propalada no chamado regime militar brasileiro nas décadas de sessenta e seguintes.
O Reverendo Augustus Nicodemos ( há vídeo registrando isto! ) contou em sua igreja acerca da visita que ele fez pregando em uma igreja pentecostal. Calvinistas e pentecostais, creem na salvação pela graça, em Jesus Cristo da mesma maneira pois descendem da linha protestante da mesma Reforma cristã mas divergem em uma dezena ou mais de pontos. Mesmo divergindo convivem e podem e aprendem uns com os outros, cada um claro, não abrindo mão de suas filigranas.
O Reverendo Nicodemos conta em sua igreja, para a sua plateia, em ilustração ao que ele não concorda com os pentecostais que estando em uma igreja pentecostal, como convidado, soube que o pastor da igreja que o convidara havia combinado com a sua igreja de manter silêncio durante a exposição bíblica, durante a sua pregação, em respeito a cultura diferente do convidado.
Ou seja a igreja não interromperia o reverendo Nicodemos com frases e exclamações de "Aleluias", "Glórias a Deus", "Louvado seja Deus" e principalmente com manifestações de "línguas estranhas", "glossolalia", atrapalhando ao pregador e o ouvir a sua pregação, como é de costume em seu próprio ambiente.
Só que diante da igreja, visto do púlpito através da porta, havia um fusquinha, um fusca, um automóvel Volkswagen, com uma tralha de coisas, amarradas em seu bagageiro sobre o seu teto.
Nisto o pastor Nicodemos pregando, o pastor da igreja ao lado dele ao perceber que as tralhas do bagageiro do fusca visto do púlpito iria cair, exclama avisando alguém lá fora: "Amarra-a-mala..." ao que a igreja inteira explode em "Aleluias", "Glórias a Deus", "Louvado seja o Senhor" e vários passam a falar em línguas estranhas e o clima de uma verdadeira igreja pentecostal se materializa finalmente. Tudo diante de um presbiteriano tradicional cujo culto normalmente em sua igreja dá até para ouvir as asas de um mosquito ao voar pela nave da sua igreja!
Claro que eu detalhei ao máximo a situação, não foi um texto conciso como de uma anedota, não é um texto construído para ser igualmente humorístico, tratando-se apenas de um registro real. Mas que ninguém fique ofendido, nem os pentecostais nem os calvinistas que neguem a glossolalia use para ridicularizarem os pentecostais. O próprio rev Nicodemos contou o caso como ilustração para fazer os seus fiéis rirem um pouco dos da outra linha denominacional, como elemento de descontração já que iria falar sobre os "Dons do Espírito" à sua própria congregação. Eu rio dos dois grupos, não em desrespeito ou negação de ambas as fés ( sim há o plural de fé em português e está correto! ) mas para rirmos todos de nós mesmos!
Somos humanos e somos ridículos em muitas situações, estejamos em que lado estejamos! Esta é a grande lição! nos demos, e não percamos, a oportunidade de rirmos dos outros e de nós mesmos! Sem isto, pelas reclamações letimizadas, sim estamos nos tornando ridículos, obtusos, burros, emperdenidos e em franco retrocesso! Escapemos individualmente disto e riamos legítima e sadiamente, muito!
Até a próxima então!
Anedotas são e constituem literaturas importantes de forte fundo moral, se não todas, na maioria das vezes, funcionando como um espelho para as diversas facetas do comportamento humano e que não constituem uma "verdade dogmática" e nem sempre uma ofensa objetiva. Simplórios podem a priori achar assim sem que seja em cem por cento dos casos. Hoje a censura imposta é de longe maior do que a propalada no chamado regime militar brasileiro nas décadas de sessenta e seguintes.
O Reverendo Augustus Nicodemos ( há vídeo registrando isto! ) contou em sua igreja acerca da visita que ele fez pregando em uma igreja pentecostal. Calvinistas e pentecostais, creem na salvação pela graça, em Jesus Cristo da mesma maneira pois descendem da linha protestante da mesma Reforma cristã mas divergem em uma dezena ou mais de pontos. Mesmo divergindo convivem e podem e aprendem uns com os outros, cada um claro, não abrindo mão de suas filigranas.
O Reverendo Nicodemos conta em sua igreja, para a sua plateia, em ilustração ao que ele não concorda com os pentecostais que estando em uma igreja pentecostal, como convidado, soube que o pastor da igreja que o convidara havia combinado com a sua igreja de manter silêncio durante a exposição bíblica, durante a sua pregação, em respeito a cultura diferente do convidado.
Ou seja a igreja não interromperia o reverendo Nicodemos com frases e exclamações de "Aleluias", "Glórias a Deus", "Louvado seja Deus" e principalmente com manifestações de "línguas estranhas", "glossolalia", atrapalhando ao pregador e o ouvir a sua pregação, como é de costume em seu próprio ambiente.
Só que diante da igreja, visto do púlpito através da porta, havia um fusquinha, um fusca, um automóvel Volkswagen, com uma tralha de coisas, amarradas em seu bagageiro sobre o seu teto.
Nisto o pastor Nicodemos pregando, o pastor da igreja ao lado dele ao perceber que as tralhas do bagageiro do fusca visto do púlpito iria cair, exclama avisando alguém lá fora: "Amarra-a-mala..." ao que a igreja inteira explode em "Aleluias", "Glórias a Deus", "Louvado seja o Senhor" e vários passam a falar em línguas estranhas e o clima de uma verdadeira igreja pentecostal se materializa finalmente. Tudo diante de um presbiteriano tradicional cujo culto normalmente em sua igreja dá até para ouvir as asas de um mosquito ao voar pela nave da sua igreja!
Claro que eu detalhei ao máximo a situação, não foi um texto conciso como de uma anedota, não é um texto construído para ser igualmente humorístico, tratando-se apenas de um registro real. Mas que ninguém fique ofendido, nem os pentecostais nem os calvinistas que neguem a glossolalia use para ridicularizarem os pentecostais. O próprio rev Nicodemos contou o caso como ilustração para fazer os seus fiéis rirem um pouco dos da outra linha denominacional, como elemento de descontração já que iria falar sobre os "Dons do Espírito" à sua própria congregação. Eu rio dos dois grupos, não em desrespeito ou negação de ambas as fés ( sim há o plural de fé em português e está correto! ) mas para rirmos todos de nós mesmos!
Somos humanos e somos ridículos em muitas situações, estejamos em que lado estejamos! Esta é a grande lição! nos demos, e não percamos, a oportunidade de rirmos dos outros e de nós mesmos! Sem isto, pelas reclamações letimizadas, sim estamos nos tornando ridículos, obtusos, burros, emperdenidos e em franco retrocesso! Escapemos individualmente disto e riamos legítima e sadiamente, muito!
Até a próxima então!
Por Helvécio S. Pereira
Graduado em História da Arte, desenho e plástica pela EBA /UFMG
e em pedagogia pela FAE/UEMG
Professor de duas redes públicas em Belo Horizonte Minas Gerais e ex-formador da GPLI, ligada à Secretaria da Educação da PBH por cerca de seis anos.
Blogueiro desde 2011, professor, compositor, pintor, ilustrador e desenhista

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Excelente texto!!! parabéns
ResponderExcluirObrigado meu irmão, um abraço!
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