001 POR QUE ESCREVER?

 


E
screver é um ato de preguiça ou de insegurança. Calma já explico!

Quem inventou a escrita certamente o fez para não esquecer algo. Se imagina que as primeiras escritas foram contagens de coisas, de posses. Pedras ou objetos significando cada animal, número que certamente já excedia aos dez dedos das duas mãos. Logo por medo de perder algum deles, esquecimento ao contabilizar morte ou consumo, ou troca, etc.

O bastante provável também é que quem inventou a escrita ( vários a inventaram de forma diferente em épocas diferentes e em diferentes grupos humanos ) a inventaram mais por delinquência que por reais virtudes. Afinal imagina-se ser muito chato ouvir as mesmas histórias noite a pós noite em torno de alguma fogueira e pior com modificações ao bel prazer das limitações de quem as contava. Provável também a diferença de perfis e de temperamentos de quem era mais hábil para falar e de quem não era tão hábil e ou com visibilidade adequada diante das pessoas. Portanto a mágoa de quem não era ouvido, notado pelas gentes, requereria uma vingança do bem e a que realmente veio. Podemos imaginar algum inventor da escrita corrigindo o hábil falador lhe mostrando que não fora isto que teria dito há tantas luas e que ele era na verdade um grande mentiroso.

Bem isto não mudou depois de imprecisos milhares e para alguns milhões de anos. A turma que é hábil em "parlar", falar, parece não ser tão hábil quanto quem constrói textos conforme gêneros, estilos, intensões, etc. Há certamente uma disparidade entre pelo menos estes dois grupos. É certo que ambos podem ser verdadeiros ou crassos mentirosos, de mais louváveis intenções ou extremamente malignos. Afinal a humanidade se divide graças aos que escreveram e já morreram, divididos em fé e não fé, materialismo e espiritualidade e parece que precisamos revisitar o que deixaram e sem todo o tipo de registro, bons e terríveis, não teríamos somado conhecimentos, perversões, nobreza, sonhos, mentiras e verdades.

E sempre aparece mais um aventureiro ou virtuoso herói, as vezes nas boas pegadas de escreventes talentosos ou outros que pela facilidade técnica da atualidade, mais pelo oportunidade ou oportunismo, pulam na frente se achando de alguma utilidade. Mas como caminhar se não se der ao luxo de algum passo? como expandir alguma musculatura ainda que figuradamente mental se não se colocar na mais lógica ação concreta?

Nascemos todos com facilidades e dificuldades, ambas se relacionam ao que nos apaixonamos, mais do que simples gosto e opostamente nos afastamos daquilo que demandaria mais suor e desapontamento. Pessoas com falsa ou muito ruim percepção da realidade acham que são o que não são mas esta é uma outra situação.

Tenho um amigo há mais de quarenta anos , um irmão, que escreve desde a infância praticamente, ou seja sempre foi um escritor mesmo que alguém tente dizê-lo que não seja: ele o é e o faz, escreve bem. É o que chamamos de talento. Lembra-se dos dois grupos que mencionei antes? o grupo dos que falam e dos que se propuseram a inventar um código e registrar coisas? Este meu amigo pensa, argumenta e desenha com as palavras qualquer que seja o estilo, o tema, o assunto, o argumento, a desculpa ou a piada! Certo e objetivamente a sua mente alcança e contempla uma percepção maior do que as demais pessoas. Escrever-pensar-escrever é o mais legítimo exercício de como percebe e responde à realidade a sua volta.

Respondendo a pergunta título desta primeira postagem: "Por que escrever?"

Quem escreve, se o faz legitimamente e não por motivos de mercado, de fama, de ego o faz como diálogo entre si e si mesmo. Infelizmente não há segurança nem verdade no simples fato e ato de escrever, prova das incontáveis bobagens e inutilidades produzidas pela humanidade, muto maior que coisas úteis e verossímeis! Mas quem escreve é como quem inventa: inventos podem ser úteis, importantes e redentores!

Por Helvécio S. Pereira


Em 01 de agosto de 2022, exatos oito dias após uma cirurgia de hérnia inguinal!

Até a próxima!


PS: Ah! este meu amigo me disse uma certa vez que sou escritor mas estou longe de ser convencido disto!


Por Helvécio S. Pereira

Graduado em História da Arte, desenho e plástica pela EBA /UFMG

e em pedagogia pela FAE/UEMG

Professor de duas redes públicas em Belo Horizonte Minas Gerais e ex-formador  da GPLI, ligada à Secretaria da Educação da PBH por cerca de seis anos.

Blogueiro desde 2011, professor, compositor, pintor, ilustrador e desenhista

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