A ORIGEM DOS INSTRUMENTOS MUSICAIS ( UMA PARTE DE ALGUMAS )
Não precisa responder a essas perguntas, você as terá nessa postagem.
Primeiramente temos que usar um pouco de imaginação e viajar ao passado no tempo. Na época que os nossos mais distantes antepassados viveram. Nessa época eles produziam sons ocos e graves batendo com força em seus peitos ( os homens ) e homens e mulheres batiam com força os pés no solo, provocando sons também fortes. Além disso batiam palmas em um ritmo mais ou menos constante, ou tentavam fazê-lo. Batidas com os pés no chão, palmas com sons estalados serviam para marcar o ritmo de alguma dança exótica ou estranha e de um canto certamente desafinado.
Quanto tempo durou essa experimentação e até quando ela era uma novidade não saberemos. Bem mais tarde, entretanto, uma alternativa interessante foi criada: conseguiram inventar objetos que poderiam produzir sons graves e agudos, surdos e estalados e que poderiam ter variações mais interessantes. Além disso poderia e na verdade, certamente surgiu uma também interessante, divisão entre músicos e plateia, os que faziam um tipo de música e os que viam o espetáculo ( igualzinho acontece hoje! ) Nasceram os tambores, os pandeiros, os chocalhos, obviamente não com esses nomes.
Há uma teoria que em se tratando de qualquer tecnologia, o que se supõe "moderno" e "complexo" , fundamentalmente não o é. Por exemplo: uma taça de cristal, caríssima e rebuscada em seu desenho, seu fundamento é igual e o mesmo que de duas mãos em concha juntas para reter água para ser bebida. O mesmo acontece com a música, seus fundamentos são simples e sempre os mesmos, apreendidos desde a sua origem na mais distante antiguidade. Esses princípios e fundamentos permanecem os mesmos na música contemporânea, atual, considerada "moderna".
Os primeiros instrumentos musicais, se podemos chamá-los assim lá no seu distante passado, até por serem rudimentares, experimentais, foram os instrumentos musicais de percussão. Como surgiram e a partir de que necessidades e com quais objetivos?
Os nossos ancestrais batiam os pés no solo com força, dezenas de pessoas no mesmo ritmo ou batiam palmas intercalando e respondendo as batidas com os pés. Esses sons serviam para organizar, marcar os tempos dos movimentos de alguma dança para nós muito exótica se a víssemos ou de algum canto entoado desafinadamente. Modernamente, temos vários instrumentos de percussão disponíveis, desde acústicos a digitais, as a função deles na música permanece a mesma.
Dessa forma nascia a primeira grande família de instrumentos musicais que permanecem até hoje, praticamente com as mesmas funções e objetivos: marcar o ritmo nas diversas peças musicais, independentemente do gênero a que pertençam ou em que época em que são compostas, independentemente do gosto musical de cada geração, da música de cada povo ou nação.
Temos então A GRANDE FAMÍLIA DOS INSTRUMENTOS DE PERCUSSÃO, a primeira grande família dos instrumentos musicais.
A família seguinte, formada por outro tipo de instrumentos musicais e nascida com outra finalidade e ocupando outro espaço importante na música, é a dos instrumentos de sopro. Nossos antepassados cantavam ou tentava a sua maneira, já que o sistema musical definitivo seria inventado somente há dois mil quatrocentos anos atrás, muito depois da época em que naturalmente viveram.
Os instrumentos musicais de sopro, nasceram a partir da observação da emissão de sons pelas aves e mais particularmente dos pássaros, já que estes pareceriam emitir ( conforme nossa compreensão hoje ) sons determinados, notas musicais. O fenômeno do vento produzindo sons em frestas, folhagens e o próprio assobio humano pode ter sido um importante ponto de partida.
Obviamente, no passado os instrumentos de percussão eram mais rústicos e praticamente experimentais. Os instrumentos de percussão modernos são de alta tecnologia e claro, muito caros, na verdade caríssimos. Para a criação dos instrumentos musicais de sopro, mesmo na antiguidade já com certo grau de sofisticação, supondo acertar certos sons, intuir certas notas musicais, supô-las soando sempre como se imaginara ou previra.
Portanto a segunda grande família de instrumentos musicais a surgir foi A GRANDE FAMÍLIA DOS INSTRUMENTOS DE SOPRO, que não tinham como finalidade e função, marcar nenhum ritmo mas criar frases melódicas, ou seja de notas que soassem somente uma após outra soar, certamente variando esses sons em alturas, indo de uma nota mais baixa a uma mais alta, alternando, repetindo, subindo e descendo.
Com essas duas famílias de instrumentos tínhamos pela primeira vez um tipo de música totalmente artificial, produzida independentemente do corpo humano, no sentido de produzir, só com ele os sons desejados. Nasce aí a classe de músicos instrumentistas e o grupo humano se divide pela primeira vez entre artistas e plateia, divisão que dura e se manifesta até os dias de hoje.
Alguém pode dizer que saber esses detalhes históricos, boa parte deles presumíveis apenas, já que temos apenas indícios e uma datação que se contrasta muitas vezes, não é importante e muito menos necessário para quem quer apenas ouvir uma música como lazer ou entretenimento. Porém como a Música é uma linguagem e toda composição musical é a expressão das crenças, das posições, opiniões dos seus compositores e portanto deve ser ouvida e compreendida na medida do possível mais plenamente.
Músicos de formação, de conservatório ou de cursos superiores de música em qualquer parte do mundo além de especialistas em seus respectivos instrumentos musicais, aprendem bem precocemente o papel de cada instrumento musical e de suas respectivas famílias dentro da música.
Enquanto instrumentos de percussão serem úteis ( e são! ) para marcarem ou acentuarem o ritmo em cada peça musical os instrumentos de sopro, por serem melódicos materializam as melodias através de seus variados e diversos timbres, extensões e capacidades dinâmicas.
Com essas duas famílias de instrumentos por muito tempo, por milhares de anos tivemos a Música com dois de seus elementos básicos, o RITMO e a MELODIA. Só muito mais tarde a parte mais complexa da Música se desenvolveria de modo extremo: a HARMONIA, da qual falaremos em outra postagem.
Por Helvécio S. Pereira
Graduado em História da Arte, desenho e plástica pela EBA /UFMG
e em pedagogia pela FAE/UEMG
Professor de duas redes públicas em Belo Horizonte Minas Gerais e ex-formador da GPLI, ligada à Secretaria da Educação da PBH por cerca de seis anos.
Blogueiro desde 2011, professor, compositor, pintor, ilustrador e desenhista

.jpg)
Comentários
Postar um comentário