O TEMPO, UM PROFESSOR OU UM DELEGADO. ( DA SÉRIE: LITERATURA , IMAGENS, LEMBRANÇAS E PENSAMENTOS )
Há coisas
que só percebemos com o tempo, e pior, mesmo que a sintamos em alguma
época bem anterior, só a compreendemos claramente muito mais
tardiamente. Uma das coisas que já sentia, mas que ficaram tão
claras tão recentemente é que exceto caso você seja um idiota
completo, em um dos muitos níveis de manifestações também idiotas
e patéticas, é ser brasileiro.
Claro, há hoje prolíferos
depoimentos sorridentes de estrangeiros que dizem sem meias-palavras
terem encontrado no Brasil um tipo de paraíso com coisas que não
existem em seus próprios países e povos. Coisas tão diametrais que nos custa acreditar que só nessa terra de fugitivos de guerras
religiosas ou não, de perdedores em guerras, de enganados pelos
cantos de alguma sereia ou oportunistas ambiciosos deram com
as caras e botas, ou sem elas por aqui.
É verdade que no passado esses
depoimentos vinham em textos de jornais, crônicas, ensaios e
romances. É verdade também que ouve frases registradas e célebres
de mentes relativamente célebres que diziam muito em contrário. Mas
o que importa haver um certo clima de aqui, a despeito de sessenta
mil assassinatos anuais, cinquenta e tantos mil mortes no trânsito,
quatro mulheres violentadas por minuto, de que aqui seja um paraíso,
uma espécie de céu na terra ou um pedaço do nirvana.
A
verdade, e provavelmente seja exatamente o que senti a partir de um
dois dias atrás, é que se você quiser por legítima opção ser
uma apedeuta, um asno, um burro ou ainda ter encaixado com justiça
um adjetivo mais descritivamente exato do que esses, viva no Brasil
pelos próximos anos de sua vida. Realmente, viver entre os
brasileiros médios, e isso definitivamente não se trata, não tem
nenhuma relação com condição social, seja econômica ou mesmo de
educação formal, é torná-lo uma pessoa pior, ou pelo menos
estagná-lo numa mediocridade desprezível e tóxica.
Claro, não somos o único, talvez não
o pior, mais tóxica cultura do mundo, mas estamos em um limite assaz
perigoso, que devem se não ser evitado a todo custo como
urgentemente, se houver alguma chance, desesperadamente
revertido.
Isso, de forma mair terrível, acontece em todas as
áreas sociais, em todas as faixas etárias e nas mais sortudas
situações econômicas. Esse país está um desastre e os arremedos
ideológicos como artifícios ora sutis, ora grosseiros de levar as
pessoas a um inatingível céu na terra é um engodo e se mostra a
cada dia um desastre maior e iminente.
Quando uma pessoa que
após uma duvidável empreitada se relaciona com um possível
candidato à presidência, que uma vez empossado mesmo após, uma
também duvidável carreira política e eleição, se aproveita de uma
posição só existente de modo determinado por uma tradição sem
legítima eleição, não so torrando sem critério os impostos dos
contribuintes e por cima comete dois erros crassos: dizer em uma
entrevista “abrido” e em um vídeo “cidadões”, deve ser algo
após algum fim definitivo.
Mas não se trata de demonizar
um partido ou um lado ideológico somente, embora seja praticamente
indefensável tantas asneiras, escândalos e crimes relacionados sempre
ao mesmo partido e às pessoas integrantes dessa, diga-se mais
exatamente, uma quadrilha. O fato é que a olhos vistos, a
decadência, o erro e desorientação endêmica é sim real, e como
tudo na vida ou na realidade, um preço será cobrado ou já está
sendo cobrado, sem descontos e com juros exorbitantes.
Mas
esse é um fenômeno brasileiro somente ou ocorre como fato em outras
regiões do mundo hoje? Como havia dito sábia e profeticamente o
grande Nelson Rodrigues, “os idiotas dominarão o mundo, na verdade, eles são muitos”. Se olharmos a história humana sem maiores
paixões, somente atenta e intelectualmente honestos, veremos,
constataremos que a úteis e grandes contribuições para o bem de
todos nós se deveu sempre a uns gatos-pingados iluminados de alguma
maneira, creio por providências e misericórdias divinas.
Entretanto, o Brasil sofre mais por um detalhe mais grave. Esse detalhe é que
por ser uma esponja absorvedoura de ideias e comportamentos nascidos
e produzidos lá fora, em outros lugares do Ocidente ao oriente, sem
crítica, e sem produzirmos nenhum pensamento organizado próprio,
nos tornamos um resultado de uma amálgama estranha e totalmente
espúria. Esse desastre ocorre desde as camadas mais baixas social e
intelectualmente até as mais altas, todos contaminados de maneira
terrivelmente desastrosa. È muito idiota por metro quadrado em um só
país, em uma só nação.
E é quase impossível que alguém
argumente contra essa realidade, sem recorrer às falsas estatísticas, falácias ou bordões de impacto ideológico. As
coisas não vão bem, definitivamente não vão. Enquanto
certificados de escolaridade são distribuídos sem que haja uma
real avaliação e constatação de aprendizado desde a base da
hierarquia educacional até, pasmem ao seu ápice, a incapacidade de
reconhecer a realidade e refletir sobre ela, torna que uma multidão
de pessoas apenas se posicionem de um lado ou de outro, irresponsável
e passionalmente não se responsabilizando por erros ou desastres
que consequentemente tenham ocorrido, fazendo com que tudo siga rumos
tão indefinidos e que os piores resultados sejam finalmente o que
venham ocorrer sobre nós.
Tecnologia e melhoria da condição humana em toda a história da humanidade sempre teve alguma relação, entretanto nem sempre significou uma melhora moral na correspondente proporção. O que tem sucedido é que guerras e grandes desastres têm promovido repentinamente maior consciência e um certo grau de arrependimento seguido de um tempo de conforto e adaptação até que novas gerações em memória suficiente dos apertos e sofrimentos de seus ancestrais passam a despender a vida em idiotices e a se expor a riscos absolutamente desnecessários. Talvez por isso, exatamente que períodos de guerras ou de desastres precedem períodos de paz seguidos por tempos de desvarios e loucuras incompreensíveis.
Lembram de Sodoma e Gomorra, fosse mito ou realidade, não foram lugares atrasados em seu tempo e lugar, mas um lugar de segurança e providenciáveis prazeres que ou não eram permitidos ou não se conheci nham em outros lugares. Tal relação entre possibilidade e causa se repetiram incontáveis vezes na história humana e se repetem agora também no nosso presente, infelizmente.
Lembram
de Sodoma e Gomorra, fosse mito ou realidade, não foram lugares
atrasados em seu tempo e lugar, mas um lugar de segurança e
providenciáveis prazeres que ou não eram permitidos ou não se conheciam em outros lugares. Tal relação entre possibilidade e
causa se repetiram incontáveis vezes na história humana e se
repetem agora também no nosso presente, infelizmente.
Helvécio S. Pereira
Belo Horizonte, 08 de novembro de 2024 ( a data em que publico, o tempo é bem anterior )


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