A ANIMAÇÃO, DESDE A SUA ORIGEM ATÉ HOJE

Se pensarmos que descobertas ou invenções impactaram a história humana, se formos atentos, a descoberta da utilidade do fogo e a possibilidade de o dominarmos, acendo-o  segundo as necessidades e a invenção da roda, certamente não poderão faltar a essa lista de constatações. É claro, não são as únicas e talvez haja até uma dúvida a ser considerada, se levadas em conta outras considerações.

Pulemos para há cento e vinte e sete anos, quando da arbitrária data da invenção do chamado cinema. Compreendamos também, que a invenção ( ou descoberta ) da animação antecede em décadas, séculos ou até milenios, o sonho de criar uma ilusão de realidade, seja para repetição de mitos, para educação ou mesmo entretenimento, geralmente aos nobres, as elites, que tinham, diferentemente da massa popular, tinha assegurado algum tempo ocioso, pelo simples fato de serem servidos, por escravos ou servos. Em meados do século XIX, não havia registro de sons, a música, fosse qual fosse, só existia ao vivo e no caso da música erudita, escrita. As imagens, eram registradas, no caso dos retratos, bustos, esculturas, pinturas, desenhos. Já a imitação da realidade, o registro de imagens em movimento definitivamente não havia, seja por simples memória ou documentário e muito menos como ficção, materialização de mitos, etc.

É nesse contexto tão especial, nesse momento de divisão de águas, em que décadas antes da sua demonstração e invenção oficial, a animação se desenvolve e graças, ao coincidente desenvolvimento da fotografia, os desenhos são substituídos por fotografia, dando origem ao cinema. Esse cinema, produz uma ruptura, não imediata, mas que em duas ou mais décadas, mudam em cento e oitenta graus, a forma das pessoas verem a realidade e as não realidades. Lembremos que antes, tínhamos o olhar voltado para o mundo real e para o mítico, através das experiências reais das pessoas e dos mitos e crenças repassadas de geração a geração. Com a popularização do cinema, essas duas visões permanecem e são geometricamente impactantes, abrindo a possibilidade, principalmente, para a ficção.

Que importância tem essa abertura para a ficção? Os contos, as fábulas, os mitos e as crenças religiosas, eram proclamadas através da oralidade e dependiam, da compreensão e da imaginação de cada pessoa, e até do imaginário coletivo, que agora pode ser estendido mediante novas técnicas, possibilita a expansão da imaginação, tanto individuais como coletivas. Essa expansão dessa imaginação coletiva, produz nas sociedades novos sonhadores, indivíduos que transcendem a mais superficial realidade. Daí, surgem os inventores, os que produzem novas ideias, os produtores de arte, etc. As possibilidades de registros da realidade foram igualmente ampliadas, tanto pelo desenvolvimento das tecnologias, como a maior portabilidade dos equipamentos, e desde as cenas ou os fatos menos públicos são não só registrados, bem como espalhados nas redes sociais para serem vistas pelo mundo. 

Desse modo, é incontestável a constatação de que a complexa comunicação humana foi enriquecida e ampliada para o bem e para o mal, proporcionando uma globalização de costumes nunca ocorrida, mesmo com oimenso poder de vida ou de morte dos maiores reinos ou impérios já existentes no mundo.
Esse novo mundo, essas novas pessoas, são mais crédulas na animação que na própria realidade. Esse é um fenômeno inteiramente novo, cada vez mais com crescentes efeitos, desequilibrando a constatação da realidade em comparação com o que é apenas virtual. 

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